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:: Quinta-feira, Julho 01, 2004 ::
A impermanência e a natureza transitória da vida são encaradas habitualmente como negativas, algo que nos inspira temor e resistência; mas é precisamente porque tudo está a nascer e morrer continuamente que já estás livre. Mesmo que queiras estar apegado e preso, tal não é possível. Mesmo que tentes agarrar-te à forma como as coisas são e àquilo que possuis, não podes fazê-lo. Tudo parte a seu tempo; estás livre de todas as coisas, quer o queiras quer não. A maior parte das pessoas temem a perda daquilo a que têm amor e apego mas na verdade a perda traz mais liberdade.
Expire apenas. Não faça nada. Não tente nada. Simplesmente complete esta uma única expiração. Uma a uma. Sejam quais forem os pensamentos que lhe surjam deixe-os estar onde estão como às nuvens brancas no céu. Não faça deles os seus inimigos ou obstáculos devido ao modo habitual de os perceber. Tu próprio és o espelho que reflete a solução dos teus problemas. O espírito humano tem liberdade absoluta no interior da sua verdadeira natureza. Podes atingir a liberdade intuitivamente. Não trabalhes para a liberdade, deixa que a prática seja ela mesma libertação.
A verdade da vida não é uma meta a alcançar num determinado momento no futuro; é a realidade do passo dado neste preciso instante. Pensar na realidade como uma linha recta, uma progressão linear do princípio ao fim, de causa a efeito, da ideia à realização, é um erro. A realidade é um círculo infinito, e cada ponto da sua circunferência é ao mesmo tempo o centro, o ponto de partida, e o ponto de chegada.
:: 4:30 PM ::
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:: Quarta-feira, Junho 30, 2004 ::
Jorge Ben Jor entra em campo de novo
Enquanto Jorge Ben Jor está preparando seu novo disco de inéditas, o recado das pistas, rádios, sebos de discos, ruas e até das telas de cinema é claro: várias vozes, em coro, parecem repetir o verso de "Jorge da Capadócia" e cantar: "Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia".
Desde o início dos anos 90, com o sucesso de "W/Brasil" e o ressurgimento de Ben Jor no trabalho de artistas como Skank, Fernanda Abreu e mundo livre s/a, o músico não aparece com tanta força no cenário musical brasileiro. Porém agora a badalação em torno dele vem sobretudo da redescoberta de seus antigos discos, principalmente da fase mística que o compositor chama de "alquimúsica", como "Solta o pavão" e "A tábua de esmeralda", nos quais o compositor misturava psicodelia e São Tomás de Aquino, alquimia e São Jorge.
O filme "Pelé eterno", de Anibal Massaini, também serve de aperitivo para quem aguarda o disco de inéditas de Ben Jor: a música-tema foi composta por ele. Com letra quilométrica, a canção narra gols e momentos importantes da vida e da carreira de Pelé.
Com as antigas jogadas de craque na memória, a torcida espera que, no novo disco, Ben Jor não repita o estilo botinudo que exibe em campo, e sim mostre a arte de um Umbabarauma. "Eu vou torcer", é o refrão.
:: 7:13 PM ::
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07:30 de hoje - Praia de Atlântida
A mente contém todas as possibilidades.
:: 2:35 PM ::
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Você tem um amigo, não importa onde ele esteja, que quando tu lembra vem um sorriso na tua cara?
Não?
É uma pena...
:: 2:26 PM ::
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O texto a seguir foi "emprestado".
The Big Wave
Sábado - Hong Kong - 40 graus. Troy (amigo desde a Tailandia) me convida para uma "festa no barco", com a condição de que eu eu conseguisse acordar cedinho para pegar os transportes ferroviários, rodoviarios e marítimos que nos levariam até uma praia famosa por ser a mais incrível da região: The Big Wave Bay.
Lembrei quando um dia achei um jornalzinho do qual a materia de capa era sobre o surf naquela região. Dois modelos-surfistas (eheh) estavam perto e praticamente arrancaram a folha da minha mão. Babaram vendo as foto das ondas. Imploraram para que pudessem levar o jornal e a mim não restava escolha diante daquela demonstracao comovente de PAIXÃO. Nunca entendi direito, mas sempre me despertou curiosidade esse fascínio que o surf exerce sobre as pessoas. Aliás, um dia fiz um trabalho com um desses caras e perguntei para onde ele já tinha ido modelando. Ele respondeu: "Ásia, Austrália e África do Sul que é onde moro. Minha agência quis me mandar pra Milão, Paris ou Nova Iorque, mas lá eu não posso surfar então não me interessa. Eu só faço esse trabalho pra poder vir pra cá por causa do surf."
Enfim, lá estava eu correndo mais uma vez para pegar o trem. Encontrei Troy na estação e de lá fomos até outra ilha, onde mora um casal de amigos dele. E foi essa casa o ponto de encontro do grupo que iria para festa. Eu era a unica brasileira entre americanos, australianos, MALASIANOS, franceses e ingleses, todos fotógrafos ou designers BACANAS e DESCOLADOS. (ehehe)
Alugamos um barco que superou minhas expectativas: tinha cozinha, dois banheiros, quarto e até chuveirinho de água doce para tirar o sal do mar_ e o daqui é tão salgado que não é preciso nadar para nao afundar. Perfeito, eu poderia morar ali.
Eu achava que às vezes meus amigos exageravam na comida quando faziamos passeios desse tipo. Mas as gringas se puxaram. Quando chegamos no barco elas começaram a espalhar comida pela mesa e NÂO PARARAM MAIS. Desde porcarias deliciosas como DORITOS QUEJOS NACHOS até salada com queijo gorgonzola, cookies, massa fria com vários molhos, pães diversos, tortinhas, etc. E a brisa do mar carregava a promessa de um dia inesquecível.
Partimos em direção da ilha mais bonita de Hong Kong. No caminho algo raro por aqui: lugares totalmente desertos. Formações rochosas bizarras (acredito que vulcânicas) desenhavam uma paisagem nunca antes vista por mim_e nem pelos gringos que sacaram suas câmeras como loucos quando passamos por esses lugares. Algumas dessas montanhas tinham grutas invadidas pelo azul cristalino do mar. Fiquei louca para parar o barco e explorar uma delas, mas nao rolou. Há uma hora da praia de onde saímos, encontramos uma ilha cujo territorio era quase que completamente ocupado por um cemitério. Mais adiante, uma embarcação adornada de um dragão dourado marcava a fronteira com o território chines.
Quando fomos nos aproximando de nosso destino, simplesmente não acreditei. Achei que depois da Tailândia seria difícil me impressionar com qualquer outro tipo de praia. Mas essa conseguiu. Talvez por causa das montanhas realmente ENORMES que quase beiravam o mar, não fosse a divisória composta pela faixa de areia branca banhada pelas águas do Pacífico. O contraste que as cores formavam era de encher os olhos e arrancar de qualquer gaúcho um profundo: BAAAAH.
Apesar do nome, naquele dia o tempo estava tão perfeito que quase não haviam ondas. Mas as que apareciam tinham tamanho e duração perfeitas pra pegar JACARÉ ou surfar, é claro.
Foi quando Troy (surfista californiano de carteirinha) teve a idéia de me ensinar a DOMINAR uma prancha. Primeiro recusei, por constrangimento. Depois pensei: "ah, quer saber? se existe um lugar ideal pra eu aprender não vai ser no ROSA, mas em uma praia deserta de Hong Kong chamada THE BIG WAVE BAY..."
Na primeira tentativa arranhei toda a minha barriga e cotovelos na prancha. O Troy me deu lições de como passar da posição DEITADA para DE PÉ em um só movimento. Claro que a meia hora seguinte foi de fracasso total. Mas não desisti e comecei a gostar. Quando consegui ficar por um milésimo de segundo de pé na prancha, me emocionei. Depois consegui mais algumas vezes e um pouquinho mais de tempo. Uhu! Muito massa. Já me senti deslizando pelas ondas do Hawaii ou da Austrália, com o cabelo parafinado e um colar de BAMBU no pescoco. Vou virar surfista e convidar o Daniel pra virar também. A gente compra... compra não, CONSTROI uma casa de taquara e folha de bananeira na beira em uma praia paradisíaca qualquer e fica lá DE BOA. Entre o surf e o lap-top com internet a rádio, o Daniel pode pescar a refeição de todo dia, enquanto eu faço comida natureba pra vender por encomenda pra CIDADE. Não é uma ideia GENIAL?
E tudo por causa da big wave que eu peguei que me colocou totalmente em contato com a natureza e com o AMAGO da energia cósmica emanada pela lua e pelas estrelas, chegando até o mar nessa explosão de vida que chamamos de ONDA. Soooooh...
:: 12:52 AM ::
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:: Terça-feira, Junho 29, 2004 ::
Sempre tem alguém pra atucanar!!!
:: 8:36 PM ::
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Parada obrigatória
Às vezes, distanciar-se é a melhor coisa que você pode fazer
Por Ailin Aleixo
Eu compreendo se você estiver ensandecido de raiva ou imerso até o nariz numa vontade irreprimível de voar na jugular de alguém: já tive ímpetos parecidos. Várias vezes, aliás. Mas, antes de explodir feito terrorista árabe, dê uns passos pra trás e tente, com todas as suas forças, se colocar fora da situação por 2 segundos que seja. Analise a cena com distanciamento, como se você não fosse protagonista (ou não estivesse revoltado por ser coadjuvante). Posso dizer com segurança: momentos de recuo, na guerra ou na vida, são primordiais em qualquer boa estratégia. Ou simplesmente se fazem presentes, sem nenhuma educação, passando por cima de nossa vontade mesmo assim, continuam sendo estarrecedoramente úteis: nos forçam a ver a situação sob outro prisma, com menos bile e, por isso mesmo, mais fria e racionalmente.
Depois de um período no ponto morto, a retomada do movimento nunca é insípida: ou ela nos faz enxergar a placa de "rua sem saída" que teimávamos em não ver ou, feito polimento em prata, devolve o brilho ao que o tempo havia enegrecido. Talvez por isso alguns casais só se entendam realmente depois de um período separados: o lado frio na cama, a falta da recriminação pela maionese mal tampada na geladeira, a sensação estranha de chegar em casa e a luz da sala não estar acesa, o ritual matutino, tudo toma outra proporção. O que era cotidiano agora é saudade. Ficar um tempo sem quem se ama pode provocar verdadeiros milagres na dinâmica de um casal (e na solo também). Por isso, nunca mais critiquei esse papo de "dar um tempo": é incrível como, com o passar dos anos, passamos a usar cada vez menos a frase "que coisa ridícula"...
Tente um Monet
Depois de chorar afluentes e mais afluentes do Amazonas por encarar tudo na base do 8 ou 80, fiz um pacto: toda vez que algo (ou, mais usualmente, alguém) está prestes a me enlouquecer, lembro-me do ditado chinês "O lugar mais escuro é sempre debaixo da lâmpada" e me retiro de mim por nanossegundos (o máximo que consigo). Vejo a cena de cima, como se fosse uma alma desencarnada observando os coitados presos ao corpo. E, na maioria das vezes, não é preciso mais do que um piscar de olhos para que eu perceba a estupidez da situação e me pergunte: "Isso vale mesmo uma úlcera?" A verdade é que nada vale. Nada é importante o bastante para nos tirar do sério. Relativize, torne sua existência e seu coração mais leves e trate de ser feliz, porque ninguém fará isso por você.
A "técnica" mais eficiente para lidar com situações adversas, eu aprendi com um senhor que caminhava ao meu lado numa exposição do Monet. Enquanto eu passava, de tela pra tela, ele se detinha longos minutos em cada uma, recuava alguns passos, mudava de ângulo, observava as cores, os traços. Calmamente. Pessoas passavam por ele, irritadas, comentando o que tanto o velhinho via naquele monte de borrões impressionistas. Enquanto os outros perdiam tempo criticando-o e reclamando da temperatura do ar-condicionado, aquele senhor vivia sensações pessoais e intransferíveis, compartilhadas apenas pelos tons de Monet. Ele via o mesmo que todos, mas enxergava algo único.
O negócio é o seguinte: o importante não é só para onde você olha, mas como olha. Porque ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
:: 1:43 PM ::
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:: Segunda-feira, Junho 28, 2004 ::
O segredo do Zen são somente estas palavras: "Nem sempre assim."
Tempo não apenas passa - ainda que mesmo então ele não seja separado do eu - mas ao mesmo tempo está contido em cada instante presente, mesmo aqui e agora em mim, e em cada um daqueles pontos do meu ser-tempo os outros tempos estão incluídos. Ainda que meu instante presente seja sempre um ponto na passagem do tempo, este ponto único inclui os outros pontos passados e futuros.
Aquele que ouve os sons do mundo é nem mais nem menos aquele cuja sabedoria espiritual foi profundamente no verdadeiro fundamento das existências, cuja compreensão toca a tudo e entende a razão das coisas, porque são de um jeito e não de outro, e cujo pensamento e vida estão em perfeita harmonia com a mente que controla o destino do universo. Atravessou, assim se diz, para a outra margem, é um buda, um iluminado.
:: 2:59 AM ::
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Mar
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Sophia de Mello Breyner Andresen
:: 2:57 AM ::
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